Da ténue
luz de fim de dia se fez noite. Azul. Nada mais do que azul. O som das
ondas de um mar que esmorece nas rochas. A ligeira espuma que se eleva
suavemente. A tal espuma dos dias que se cola à pele e nos permite respirar. O
som das ondas. E os meus pensamentos, constantes, que não me largam, não se
transmutam, nem um instante. Esta sensação de pertença a um lugar distante,
talvez inexistente. O sentir da natureza em mim. O voo dos pássaros no céu, o
deslizar dos peixes nas águas, o cheiro intenso da maresia, o som das marés. O
som das ondas. Sempre o som das ondas. O toque das rochas, sólidas e frias. A
humidade que me inebria. O pulsar da natureza que me chama, que se intensifica
a cada contacto. É o apelo mais forte, que vem de dentro, daquela raíz que não
tenho e teimo em procurar. Da ténue luz de fim de dia se fez noite. Azul. Nada
mais do que azul.
