Parede
Ela chegou primeiro. Estacionou junto ao antigo restaurante, e saiu em direcção à praia. O calor morno de fim de tarde, aquecia a pele, sem sufocar. O sol ainda longe do horizonte, começava a emprestar ao céu as suas cores pastel, pálidas. Em breve, tornar-se-iam mais intensas e cobririam todo o azul, deixando no ar a promessa de um dia seguinte luminoso e quente. Quando chegou ao velho estrado de madeira, tirou as sandálias, saboreando aquela sensação agradável de liberdade. Depois, os pés tocaram a areia quente, enterrando-se a cada passo. A sua saia, branca, de uma seda suave e leve, esvoaçava ligeiramente na brisa vinda do mar. Por alguns instantes, fechou os olhos e caminhou lentamente em direcção à areia. Os pensamentos divagaram entre a vontade e a dúvida. Quando se achou suficientemente longe do carro, atirou a mala e deixou-se cair. Sabia bem a areia, a brisa e a humidade subtil do mar. Deitada, olhava o céu a transfigurar-se, quando o pressentiu a aproximar-se. A imagem era a mesma, com a maturidade dos anos a vincarem os traços. Sorriu, com aquele sorriso doce e tímido de sempre. Ela correspondeu-lhe, e as dúvidas dissiparam-se. Afinal, continuava tudo igual.
ciclos I
